terça-feira, 7 de março de 2017

Geografia: os muros que dividem o mundo.

Bom dia, Educandos dos 8º Anos!! Vamos aprimorar nossos estudos de sala de aula??
Leia o texto abaixo e faça seus questionamentos!! Vamos abrir um debate sobre a "Globalização" e a quebra de fronteiras!

3.jul.2015 - Palestinos usam uma escada para escalar muro erguido por Israel, que os separa da região onde fica a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação.
17/02/2017, 16h41. 



O presidente norte-americano Donald Trump quer construir um muro para dividir os Estados Unidos do México. Segundo recentes declarações, essa será uma das principais medidas para reforçar o controle migratório nos EUA e travar o fluxo ilegal de mexicanos para o país. Ele ainda busca suspender os programas de apoio a refugiados e a concessão de vistos a cidadãos de sete países.
A construção do muro com o México está repleta de incertezas. Quem pagaria pela obra? A equipe de Trump estima que a construção deva custar 10 bilhões de dólares. Durante as eleições de 2016, Trump afirmou que os mexicanos devem pagar pelo muro, mas o país se recusa a arcar com os custos.
A fronteira EUA-México tem cerca de 3.1 mil km de extensão, passando por grandes áreas urbanas, desertos, montanhas e rios. Cerca de mil km já são cobertos por cercas e muros de concreto, que visam aumentar o controle em relação à imigração, inibir o narcotráfico e coibir as ações dos chamados “coiotes”, grupos que atravessam a fronteira de forma clandestina. Trump diz que o muro cobrirá mais 1.6 mil km e que obstáculos naturais vão cuidar da área restante.
Para que serve um muro? Um muro é uma construção física que existe para dividir o mundo de dentro do mundo de fora. Um muro cria territórios e evita o encontro indesejado com o outro. Ele limita a livre circulação num espaço e também serve como barreira de proteção.
O maior muro do planeta é a Grande Muralha da China, cuja construção começou por volta de 220 a.C. A obra histórica uniu fortificações erguidas e formou um sistema contra invasões dos inimigos vindos do norte. Na história, destaca-se ainda o Muro de Adriano, uma fortificação em pedra com comprimento de 173 quilômetros e que foi construída no século 2 pelo imperador romano Adriano, com o objetivo de defender o Império Romano na Bretanha. Para protegê-la, 14 fortes foram posicionados em toda sua extensão, além de 80 torres militares.
Na Idade Média, essas construções eram tão importantes que se tornaram marcas registradas da urbanidade, como as cidades muradas, verdadeiras fortalezas que serviam para proteger as cidades de constantes ataques. Em alguns lugares, existiam até fossos enchidos com água, que também ajudavam no isolamento.
Se no passado o muro foi indispensável como linha de defesa, hoje eles não dão conta de evitar ataques bélicos, que podem ser feitos com aviões e armas pesadas. Qual seria então o papel do muro no mundo contemporâneo?
Na nossa sociedade, os muros crescem por todo lado e formam uma imensa barreira geográfica e social. Um estudo do geógrafo Michel Foucher concluiu que existe um total de 18 mil km de barreiras intransponíveis construídas pelo homem no planeta. Em 1989, quando caiu o muro de Berlim (símbolo da Guerra Fria), havia 16 muros a marcar fronteiras no mundo. Segundo uma pesquisa da Universidade de Quebec, hoje existem 65 já construídos ou em vias de ficarem prontos.
A globalização aboliu as fronteiras para a economia, o comércio e as informações. Mas para os seres humanos foram erguidos ainda mais muros. Os países apostaram no controle de fronteiras, com barreiras impulsionadas principalmente pelo intenso fluxo de imigração dos últimos anos, reflexo de recentes crises econômicas e de conflitos armados.
Segundo dados da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados), em 2015, o total de pessoas deslocadas chegou a 65,3 milhões em todo o mundo. Segundo a organização, vivemos um recorde de deslocamentos internos. Trata-se da maior crise de refugiados e migração desde a 2ª Guerra Mundial. O grande fluxo de refugiados se deve aos conflitos que ocorrem em países como Somália, Afeganistão e Síria.
“As fronteiras da Europa devem ser fechadas”, disse o primeiro-ministro da Hungria, Victor Órban, em setembro de 2015. Naquele ano, o governo húngaro construiu uma barreira de quatro metros de altura ao longo da sua fronteira com a Sérvia para tentar travar a entrada dos refugiados que fogem da guerra civil da Síria e dos conflitos do Oriente Médio.
O constante desembarque de refugiados na Europa e o crescimento da ameaça terrorista fizeram surgir novas barreiras. Os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, na costa marroquina, estão cercados por barreiras que buscam evitar a entrada de imigrantes vindos da África. Na fronteira da Grécia com a Turquia, se ergue o Muro de Evros, que separa o Oriente do Ocidente.
Na África, Ásia e Oriente Médio também surgiram novas barreiras. Recentemente, no Quênia, na Arábia Saudita e na Turquia os governos fortificaram suas fronteiras para impedir a infiltração de jihadistas vindos dos países vizinhos. Na fronteira da Índia com Bangladesh existe uma barreira de arame farpado de quatro mil quilômetros. Os indianos buscam isolar a nação economicamente emergente dos seus vizinhos mais pobres e de famílias muçulmanas.
Para alguns estudiosos, a construção de muros não resolve o problema dos fluxos migratórios no longo prazo. Ele seria um símbolo poderoso, mas que traz apenas uma sensação de segurança. “A única coisa que estes muros têm em comum é que são sobretudo cenários de teatro”, defende Marcello Di Cintio, autor do livro Murs, voyage le long des barricades.
Di Cintio acredita que a construção dessas barreiras não evitou a imigração ilegal, o tráfico de drogas ou ataques terroristas. “Eles dão uma ilusão de segurança, mas não uma verdadeira segurança”, afirma o pesquisador.
Na prática, esses muros deslocariam o fluxo para outro local e de outras formas, muitas vezes em travessias perigosas. É o caso da morte de mexicanos rumo aos EUA. Todos os anos, centenas de pessoas morrem ao atravessar desertos de temperaturas extremas. Na Europa, milhares de refugiados cruzam o mar Mediterrâneo em embarcações precárias e ficam no meio do caminho: morrem ou precisam ser resgatados. Somente em 2015, ocorreram 3.771 mortes em naufrágios próximos a países europeus.
Os muros também podem ser metafóricos, e além do controle da fronteira, representam a divisão de ideias, uma divisão simbólica. É o caso da barreira que divide as fronteiras da Coreia do Sul e Coreia do Norte. Além de ser uma barreira física, o muro divide ideologicamente os países: o norte comunista, e o sul, capitalista.
Na Irlanda do Norte, a cidade de Belfast possui diversos muros, os chamados Peace Lines. São barreiras construídas nos anos 1970 e que serviram para dividir as comunidades católicas e as comunidades protestantes. Os conflitos religiosos ficaram no passado, mas os muros ainda estão em pé, com grafites estampados que lembra a história recente.
Essas edificações também podem trazer consequências psicológicas. Foi nos anos de 1970 que o psicólogo berlinense Dietfried Muller-Hegemann falou na “doença do muro”, expressão cunhada para explicar a situação das famílias que foram separadas pelo muro de Berlim, que separou a cidade em duas. Elas conviviam com fortes taxas de depressão, alcoolismo e violência familiar.
Para o sociólogo Zygmunt Bauman, o muro contemporâneo é o símbolo do medo. Segundo Bauman, em nossa época repleta de incertezas, tememos a violência urbana, as catástrofes naturais, o desemprego e o terrorismo. O sintoma desse medo seria a busca por sofisticados sistemas de segurança e cercas contra o perigo do estranho que mora ao lado. Mas a ameaça da violência constrange o cidadão: ao se proteger com os mais diversos aparatos, a sociedade ameaça. O sociólogo acredita que o caminho seria a promoção de um maior diálogo e solidariedade entre os povos. “Precisamos construir pontes, não muros”, afirma.
Texto extraído do site: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/geografia-os-muros-que-dividem-o-mundo.htm

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