Leia o texto abaixo e faça seus questionamentos!! Vamos abrir um debate sobre a "Globalização" e a quebra de fronteiras!

Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação.
17/02/2017, 16h41.
O presidente norte-americano Donald
Trump quer construir um muro para dividir os Estados Unidos do México. Segundo
recentes declarações, essa será uma das principais medidas para reforçar o
controle migratório nos EUA e travar o fluxo ilegal de mexicanos para o país.
Ele ainda busca suspender os programas de apoio a refugiados e a concessão de
vistos a cidadãos de sete países.
A
construção do muro com o México está repleta de incertezas. Quem pagaria pela
obra? A equipe de Trump estima que a construção deva custar 10 bilhões de
dólares. Durante as eleições de 2016, Trump afirmou que os mexicanos devem
pagar pelo muro, mas o país se recusa a arcar com os custos.
A
fronteira EUA-México tem cerca de 3.1 mil km de extensão, passando por grandes
áreas urbanas, desertos, montanhas e rios. Cerca de mil km já são cobertos por
cercas e muros de concreto, que visam aumentar o controle em relação à
imigração, inibir o narcotráfico e coibir as ações dos chamados “coiotes”,
grupos que atravessam a fronteira de forma clandestina. Trump diz que o muro
cobrirá mais 1.6 mil km e que obstáculos naturais vão cuidar da área restante.
Para
que serve um muro? Um muro é uma construção física que existe para dividir o
mundo de dentro do mundo de fora. Um muro cria territórios e evita o encontro
indesejado com o outro. Ele limita a livre circulação num espaço e também serve
como barreira de proteção.
O
maior muro do planeta é a Grande Muralha da China, cuja construção começou por
volta de 220 a.C. A obra histórica uniu fortificações erguidas e formou um
sistema contra invasões dos inimigos vindos do norte. Na história, destaca-se
ainda o Muro de Adriano, uma fortificação em pedra com comprimento de 173
quilômetros e que foi construída no século 2 pelo imperador romano Adriano, com
o objetivo de defender o Império Romano na Bretanha. Para protegê-la, 14 fortes
foram posicionados em toda sua extensão, além de 80 torres militares.
Na
Idade Média, essas construções eram tão importantes que se tornaram marcas
registradas da urbanidade, como as cidades muradas, verdadeiras fortalezas que
serviam para proteger as cidades de constantes ataques. Em alguns lugares, existiam
até fossos enchidos com água, que também ajudavam no isolamento.
Se
no passado o muro foi indispensável como linha de defesa, hoje eles não dão
conta de evitar ataques bélicos, que podem ser feitos com aviões e armas
pesadas. Qual seria então o papel do muro no mundo contemporâneo?
Na
nossa sociedade, os muros crescem por todo lado e formam uma imensa barreira
geográfica e social. Um estudo do geógrafo Michel Foucher concluiu que existe
um total de 18 mil km de barreiras intransponíveis construídas pelo homem no
planeta. Em 1989, quando caiu o muro de Berlim (símbolo da Guerra Fria), havia
16 muros a marcar fronteiras no mundo. Segundo uma pesquisa da Universidade de
Quebec, hoje existem 65 já construídos ou em vias de ficarem prontos.
A
globalização aboliu as fronteiras para a economia, o comércio e as informações.
Mas para os seres humanos foram erguidos ainda mais muros. Os países apostaram
no controle de fronteiras, com barreiras impulsionadas principalmente pelo
intenso fluxo de imigração dos últimos anos, reflexo de recentes crises
econômicas e de conflitos armados.
Segundo
dados da Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados), em 2015, o total de
pessoas deslocadas chegou a 65,3 milhões em todo o mundo. Segundo a
organização, vivemos um recorde de deslocamentos internos. Trata-se da maior
crise de refugiados e migração desde a 2ª Guerra Mundial. O grande fluxo de
refugiados se deve aos conflitos que ocorrem em países como Somália,
Afeganistão e Síria.
“As
fronteiras da Europa devem ser fechadas”, disse o primeiro-ministro da Hungria,
Victor Órban, em setembro de 2015. Naquele ano, o governo húngaro construiu uma
barreira de quatro metros de altura ao longo da sua fronteira com a Sérvia para
tentar travar a entrada dos refugiados que fogem da guerra civil da Síria e dos
conflitos do Oriente Médio.
O
constante desembarque de refugiados na Europa e o crescimento da ameaça
terrorista fizeram surgir novas barreiras. Os enclaves espanhóis de Ceuta e
Melilla, na costa marroquina, estão cercados por barreiras que buscam evitar a
entrada de imigrantes vindos da África. Na fronteira da Grécia com a Turquia,
se ergue o Muro de Evros, que separa o Oriente do Ocidente.
Na
África, Ásia e Oriente Médio também surgiram novas barreiras. Recentemente, no
Quênia, na Arábia Saudita e na Turquia os governos fortificaram suas fronteiras
para impedir a infiltração de jihadistas vindos dos países vizinhos. Na
fronteira da Índia com Bangladesh existe uma barreira de arame farpado de
quatro mil quilômetros. Os indianos buscam isolar a nação economicamente
emergente dos seus vizinhos mais pobres e de famílias muçulmanas.
Para
alguns estudiosos, a construção de muros não resolve o problema dos fluxos
migratórios no longo prazo. Ele seria um símbolo poderoso, mas que traz apenas
uma sensação de segurança. “A única coisa que estes muros têm em comum é que
são sobretudo cenários de teatro”, defende Marcello Di Cintio, autor do livro
Murs, voyage le long des barricades.
Di
Cintio acredita que a construção dessas barreiras não evitou a imigração
ilegal, o tráfico de drogas ou ataques terroristas. “Eles dão uma ilusão de
segurança, mas não uma verdadeira segurança”, afirma o pesquisador.
Na
prática, esses muros deslocariam o fluxo para outro local e de outras formas,
muitas vezes em travessias perigosas. É o caso da morte de mexicanos rumo aos
EUA. Todos os anos, centenas de pessoas morrem ao atravessar desertos de
temperaturas extremas. Na Europa, milhares de refugiados cruzam o mar
Mediterrâneo em embarcações precárias e ficam no meio do caminho: morrem ou
precisam ser resgatados. Somente em 2015, ocorreram 3.771 mortes em naufrágios
próximos a países europeus.
Os
muros também podem ser metafóricos, e além do controle da fronteira,
representam a divisão de ideias, uma divisão simbólica. É o caso da barreira
que divide as fronteiras da Coreia do Sul e Coreia do Norte. Além de ser uma
barreira física, o muro divide ideologicamente os países: o norte comunista, e
o sul, capitalista.
Na
Irlanda do Norte, a cidade de Belfast possui diversos muros, os chamados Peace
Lines. São barreiras construídas nos anos 1970 e que serviram para dividir as
comunidades católicas e as comunidades protestantes. Os conflitos religiosos
ficaram no passado, mas os muros ainda estão em pé, com grafites estampados que
lembra a história recente.
Essas
edificações também podem trazer consequências psicológicas. Foi nos anos de
1970 que o psicólogo berlinense Dietfried Muller-Hegemann falou na “doença do
muro”, expressão cunhada para explicar a situação das famílias que foram
separadas pelo muro de Berlim, que separou a cidade em duas. Elas conviviam com
fortes taxas de depressão, alcoolismo e violência familiar.
Para
o sociólogo Zygmunt Bauman, o muro contemporâneo é o símbolo do medo. Segundo
Bauman, em nossa época repleta de incertezas, tememos a violência urbana, as
catástrofes naturais, o desemprego e o terrorismo. O sintoma desse medo seria a
busca por sofisticados sistemas de segurança e cercas contra o perigo do
estranho que mora ao lado. Mas a ameaça da violência constrange o cidadão: ao
se proteger com os mais diversos aparatos, a sociedade ameaça. O sociólogo
acredita que o caminho seria a promoção de um maior diálogo e solidariedade
entre os povos. “Precisamos construir pontes, não muros”, afirma.
Texto
extraído do
site: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/geografia-os-muros-que-dividem-o-mundo.htm
Amanda silva 8 "D"
ResponderExcluir